O programa IntegraTietê, coordenado pelo governo de São Paulo, removeu 4,91 milhões de m³ de sedimentos do leito do rio Tietê entre 2023 e 2025 – volume equivalente a 409 mil caminhões basculantes enfileirados por 3.682 km, distância entre São Paulo e Fortaleza. A operação, que também recolheu 116.912 toneladas de lixo flutuante nos rios Tietê e Pinheiros, atua em múltiplas frentes para recuperar o escoamento do rio e reduzir o risco de enchentes.
Como o sistema remove sedimentos
O primeiro componente do sistema entrou em operação em 2023, com o desassoreamento conduzido pelo órgão regulador de recursos hídricos do estado de São Paulo. Dragas e equipamentos de sucção removem o sedimento do fundo do rio, que é transportado, separado e disposto fora da bacia hidrográfica. No primeiro ano de operação, essa frente retirou 1,4 milhão de m³ de sedimento, o equivalente a 99.508 caminhões enfileirados por quase 1.000 km – distância suficiente para ligar São Paulo a Brasília.
A operação de desassoreamento não ficou restrita ao curso principal do Tietê. Ela avançou para os piscinões da região metropolitana, reservatórios de contenção de cheias que também acumulam sedimento. Do total de 4,91 milhões de m³ removidos, 613 mil m³ vieram desses reservatórios, preservando a capacidade de armazenar água de chuva e reduzindo o risco de enchente nas regiões ao redor.
Coleta de lixo flutuante e monitoramento
A operação de coleta de resíduos flutuantes no rio Pinheiros, principal afluente do Tietê, é conduzida pela São Paulo Águas, agência de águas do estado. Arcos e rebocadores percorrem os 25 km do curso d'água todos os dias, interceptando o material que a correnteza carrega antes que chegue ao Tietê. Em 2023, primeiro ano de operação plena, foram retiradas 34.704 toneladas. Em 2024, o número subiu para 38.600 toneladas e, em 2025, chegou a 43.948 toneladas – um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Somando os três anos, são 116.912 toneladas de lixo que não se acumularam no rio. Essa frente consumiu mais de R$ 192,7 milhões desde 2023.
O crescimento do volume coletado não indica que o rio esteja mais sujo, mas que a rede de captação se tornou mais eficiente, com mais barreiras e rotas otimizadas. O monitoramento ambiental é feito pela CETESB, que instalou 19 novos pontos de análise ao longo da bacia em 2024, complementando a rede existente. Cada ponto identifica oxigênio dissolvido, presença de coliformes e carga orgânica – dados essenciais para validar as intervenções.
Investimentos, lixômetro e próximas etapas

O governo de São Paulo já assegurou cerca de R$ 22 bilhões em acordos destinados à despoluição do Tietê desde 2023, um volume de investimento que sugere uma reconstrução de infraestrutura em escala de década. Para tornar público o trabalho, foi instalado em 2024 um lixômetro nas margens do rio Pinheiros, um painel que mostra em tempo real o total de lixo retirado desde o início da operação e o valor gasto com o serviço.
Para 2026, estão previstos 42 contratos de obras em andamento, com a instalação de 10 novas estações de tratamento de esgoto, permitindo que mais de 1 milhão de residências passem a contar com tratamento formal. Segundo estudos da SOS Mata Atlântica, cerca de 40% da poluição que chega ao Tietê vem de fontes difusas – esgoto lançado diretamente por residências sem conexão à rede oficial. A expansão das estações ataca essa origem do problema.
Proteção das nascentes e áreas de várzea
Na nascente do Tietê, em Salesópolis, a resposta técnica incluiu a construção de um novo núcleo no Parque Nascentes do Tietê e a renovação do núcleo já existente, além do reflorestamento de 61 hectares de vegetação nativa – mais de 85 campos de futebol. A proteção também abrange 145 km² de áreas de várzea, mantidas por parques estruturados, como o Parque Ecológico do Tietê e os núcleos Parque Helena, Vila Jacuí e Itaim Biacica. Essas áreas funcionam como esponjas naturais, filtrando sedimento e absorvendo o excesso de chuva antes que a água chegue ao canal principal.
O que se sabe até agora
- O sistema IntegraTietê removeu 4,91 milhões de m³ de sedimentos do rio Tietê entre 2023 e 2025.
- Foram retiradas 116.912 toneladas de resíduos flutuantes dos rios Tietê e Pinheiros em três anos.
- O governo de São Paulo destinou cerca de R$ 22 bilhões para a despoluição do rio desde 2023.
- Para 2026, estão previstas 10 novas estações de tratamento de esgoto, beneficiando mais de 1 milhão de residências.
- A CETESB ampliou o monitoramento com 19 novos pontos de análise ao longo da bacia em 2024.
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