Céu e inferno como estados de consciência já vividos na Terra

Céu e inferno como estados de consciência já vividos na Terra

💡 Resumo rápido: Interpretação bíblica defende que o Reino dos Céus e o inferno são frequências acessíveis já na vida terrena, ligadas à gratidão, ao presente e ao sofrimento.

O Reino dos Céus e o inferno podem ser compreendidos não apenas como destinos após a morte, mas como estados de consciência que as pessoas já vivem na Terra. A interpretação parte de ensinamentos bíblicos para defender que o ser humano acessa, nesta vida, frequências espirituais ligadas à gratidão ou ao sofrimento — e que essa escolha molda a experiência de cada um, com desdobramentos práticos no cotidiano.

Existe vida após a morte — e também uma dimensão presente

A reflexão não nega a existência das dimensões espirituais nem de um destino final após a morte. Conforme essa leitura, alguns serão salvos e herdarão o Reino dos Céus, enquanto outros serão condenados e herdarão o lago de fogo e, depois de um tempo, serão aniquilados. A ideia do tormento eterno é apontada como enganosa e como um meio de colocar medo nas pessoas — mas isso, ressalta-se, não significa que o destino após a morte deixe de existir.

Um dos argumentos apresentados é o de que essa visão se choca com a própria lei de causa e efeito, a mesma que muitos afirmam defender. Se para todo efeito há uma causa, questiona-se qual seria o sentido de, após a morte, não se colher nada do que foi plantado na Terra, sobretudo quando se afirma que a alma é imortal e vai além desta terra. Para a interpretação, há aí uma contradição tremenda: uma coisa não anula a outra. Enquanto os religiosos exploram apenas a questão após a morte, o meio esotérico trata o tema como se fosse restrito à vida presente — quando, na verdade, seria os dois, exigindo equilíbrio entre as duas abordagens.

‘O Reino está dentro de vós’

Grande parte das pessoas ligadas ao sistema religioso cristão enxerga a salvação como algo futuro: o dia em que se dará o Reino dos Céus, em que se será definitivamente feliz e realizado. A argumentação reconhece que, após a morte, com o corpo transformado, virá algo definitivo, e que na Terra a pessoa acaba oscilando por estar num corpo de carbono pecaminoso. Ainda assim, defende que existe uma forma de viver o Reino já na Terra — e que a maioria das pessoas já vive o inferno aqui, sendo por isso condenada. Para essa visão, isso não é aleatório, mas consequência das ações vividas na Terra, especialmente quando tudo se resume em energia, frequência e vibração.

O ponto de partida é um ensinamento atribuído a Yesua, registrado em Lucas 17, versículos 20 e 21:

“Quando vos disserem acerca do reino dos céus, o reino dos céus não vem com visível aparência e direis: ‘Ei, aqui; ei, ali’. Eu digo, o reino está dentro de vós.”

Segundo a interpretação, muitos não compreenderam — e até hoje não compreendem — o que essa passagem queria dizer. Alguns setores da teologia convencional recorrem ao viés tradicional para afirmar que a palavra grega significaria “entre vós”, numa referência ao próprio Cristo. A argumentação aceita que ele era a personificação perfeita do Reino dos Céus, o que seria indiscutível, mas sustenta que não estava falando de si mesmo. A palavra grega pode significar tanto “entre” quanto “dentro”, “no interno”; já o termo aramaico, apontado como a versão mais original do texto, significaria nitidamente “dentro” ou “no interior”. Assim, o Messias estaria falando do Reino que está dentro de cada um.

Acesso a frequências celestiais já na Terra

Para essa leitura, o Reino não seria apenas uma dimensão futura, mas uma frequência ou um estado acessível ainda na Terra. A referência é o texto de Efésios 2, que afirma que, em Cristo, as pessoas ressuscitaram — verbo usado no passado — e receberam o direito de assentar-se em regiões celestiais. Paulo também é citado em outros momentos, ao dizer que está unido em espírito. A conclusão apresentada é a de que é possível acessar frequências celestiais e dimensões superiores já nesta vida, e não apenas no futuro.

Um dos fundamentos é a ideia de que passado e futuro não existem. O tempo, tal como é conhecido, seria uma grande ilusão, e o que sempre existe é um presente contínuo. O tempo não se dividiria em passado, presente e futuro, mas viria do mundo atemporal — outra dimensão conhecida como Cairoz ou Olan — para o mundo temporal em que se vive. A única coisa viva e real seria o presente contínuo.

A partir daí chega-se à distinção prática: uma pessoa que não vive o presente contínuo se distancia da frequência do Reino, descrita como um presente de deleite, gozo e contemplação. Quem vive preocupado com o futuro, quadro associado à ansiedade, ou quem vive pensando no passado, associado à depressão, viveria uma frequência infernal, por não conseguir viver o presente contemplativo — que seria viver o Reino na Terra.

Céu e inferno como estados de consciência já vividos na Terra — Contexto da matéria
Contexto da matéria — gerada por IA
“Não andeis ansiosos por coisa alguma, preocupados com o que vão vestir com o amanhã. Basta a cada dia o seu próprio mal.”

Paulo também é mencionado ao falar da paz que excede todo entendimento e que renovará os corações, com a orientação de não andar ansioso. Há vários textos bíblicos que tratam da renovação da mente para experimentar a vontade do Criador, descrita como boa, agradável e perfeita para a vida.

O que significa viver o inferno

Assim como o Reino exige um estado de paz, gratidão, contemplação, percepção da beleza ao redor e um fardo leve — ensinamento atribuído ao Messias, segundo o qual seu fardo é leve e seu jugo é suave —, o inferno teria sua própria frequência. Uma confusão comum destacada é entre obediência e radicalismo: ser obediente e alinhar-se ao Criador com tudo de si é indiscutível, mas tornar-se radical e legalista, vivendo um fardo pesado, já seria uma frequência que se distancia do Reino dos Céus — uma frequência infernal, ainda que carregue uma pitada de obediência.

A descrição bíblica do lago de fogo, para ser mais preciso, é a de um lugar de choro, ranger de dentes, lamentação, sofrimento, tristeza profunda e, talvez, raiva e revolta — sentimentos atribuídos aos que forem condenados. Aplicando o princípio de já se viver o céu ou o inferno na Terra, quem vive nessa frequência de sofrimento já vive o inferno aqui.

A reflexão ressalva que passar por situações tristes, traumáticas ou de luto não é algo ruim nem deve ser ignorado. O luto é considerado bíblico: diante de uma perda ou de uma grande decepção, é importante que a pessoa tenha seu momento de tristeza e lamentação, para botar tudo para fora — mas, depois, esse ciclo passa e a vida continua. O problema não seria ter tristeza ou raiva em alguns momentos, e sim ser dominado por esses sentimentos, a ponto de não ver mais as coisas boas e as bênçãos ao redor, que seriam muitas.

Sob essa ótica, o sofrimento por si só também seria, de certa maneira, uma ilusão. Existiria um modo de viver em que não se sofre, ainda que se fique triste em alguns momentos, se tenha perdas e se passe por dificuldades — sem viver na frequência do sofrimento, descrita como infernal. A diferença estaria entre a tristeza pontual e a frequência contínua.

A raiva, por sua vez, poderia até ser canalizada do jeito certo. Yeshua teria se irado sem pecar, e Paulo explora essa possibilidade em Efésios: é possível irar sem pecar, mas não se deve deixar o sol se deitar sobre a ira — ou seja, não se deve levar essa ira adiante. A ira ficaria para o momento de determinada situação e depois a vida seguiria, sem manter alguém vivendo irado o tempo todo.

Diversos desdobramentos são atribuídos a quem vive um inferno na Terra: uma pessoa entregue ao pecado, aos seus traumas e bloqueios; alguém que não consegue ser feliz, a não ser em alguns relances; e quem precisa se entregar a prazeres ou a refúgios como álcool e substâncias ilícitas, sem conseguir controlar seus vícios. Pessoas ansiosas e depressivas também estariam, de certa maneira, vivendo uma frequência infernal.

A conclusão apresentada é a de que isso pode ser mudado. Ainda que a realidade permaneça a mesma, mudar a perspectiva mudaria completamente a frequência. Exemplifica-se com quem enfrenta dificuldade financeira, quem nunca deu certo em relacionamentos ou quem tem dificuldade de emagrecer: algumas pessoas preferem viver na frequência da lamentação, do sofrimento e da insatisfação permanente; outras são gratas pelas coisas boas que tiveram e entendem que aquilo é apenas um processo, uma fase da vida que pode ser superada. Diante de realidades iguais ou muito parecidas, a ótica de enxergar a realidade e a maneira de lidar com a vida mudariam tudo — enquanto uns escolhem a gratidão, a felicidade, a paz e a harmonia, outros escolhem a lamentação, o fardo pesado, a cobrança excessiva e a insatisfação com a própria vida.

O que se sabe até agora

  • Céu e inferno são apresentados como estados de consciência acessíveis já na Terra, sem negar a existência das dimensões e do destino após a morte.
  • Conforme a interpretação, alguns serão salvos e herdarão o Reino dos Céus; outros serão condenados ao lago de fogo e, depois de um tempo, aniquilados.
  • O ensinamento de Lucas 17:20-21 sustenta que o Reino está “dentro de vós”, leitura reforçada pelo termo aramaico, considerado mais original que o grego “entre vós”.
  • Quem vive no presente contínuo — na gratidão e na contemplação — habita a frequência do Reino; quem é dominado pelo passado (associado à depressão) ou pelo futuro (associado à ansiedade) vive a frequência infernal.
  • O sofrimento contínuo, os vícios e a entrega a refúgios como álcool e substâncias ilícitas são associados ao inferno vivido na Terra, mas a mudança de perspectiva pode alterar essa frequência.

Fonte: vídeo original

Admin